sábado, 11 de março de 2017

Entre capa, espada e collant colorido


A presença dos heróis na cultura humana é antiga, realizando ações que poucos conseguem ou teriam coragem de enfrentar um mal superior à sua condição frágil, o herói se levanta entre muito, se distancia do grupo e assume a responsabilidade de derrotar o inimigo que adiante obstrui a jornada do grupo que o acompanha.
Seja mítico ou real, os heróis inspiram todos aqueles que leem suas aventuras a superar suas dificuldades a alcançar seus objetivos. Esta admiração, inspiração ou mesmo exemplo se mantem presente na mente daqueles que um dia passaram por uma dificuldade.
A presença destes seres heroicos se faz presentes com mais relevância nos momentos de crise, seja ela pessoal, social ou global. O momento em que o indivíduo precisa de forças e coragem para enfrentar seu grande inimigo e supera-lo, ele pode buscar inspiração em seu herói e assim vencer. Modelos de honestidade e dedicação, estes seres estão acima do bem e do mal.
No meio do século XX, um novo estilo de herói surgiu, longe dos heróis de capa e espada de tempos passados que estavam presentes em livros e filmes e tanto fascinaram e encantaram, vindo das revistas em quadrinhos, publicações nascidas nos jornais. Estes heróis tinham algumas características em comum, escondiam suas identidades, a maioria fazia uso de máscaras. Combatiam criminosos e nada recebiam em troca. Alguns tinham poderes fantásticos e outros elevavam a condição humana a níveis absurdos.
Para muitos, estes seres de collant colorido serviam apenas para distanciar a mente dos jovens dos problemas reais da vida, denegriam a mente e criava uma fantasia sem propósitos para os jovens. Não olhavam a esperança e ensinamento que os personagens transmitidos aos jovens, os tempos mudaram, assim como os heróis.
Uma criança podia pegar uma revista em uma banca, a custo baixo, e acompanhar as aventuras de seu, não apenas herói, mas super-herói. Nestas leituras, o jovem aprenderia o estilo de vida do personagem, conheceria seu mundo, torceria quanto este enfrentasse o vilão e vibraria ao ver seu super-herói derrota-lo. Com o tempo aprenderia seus valores e regras de vida.

Na idade adulta, este jovem, ao passar por problemas e dificuldades, pode lembrar-se do seu velho super-herói de infância, e buscar inspiração para vencer as dificuldades. Determinação, superar suas fraquezas, trabalho em equipe, são características que podemos adotar no mercado de trabalho, no dia a dia de uma empresa, lembrando sempre que cada um é responsável pelo seu final feliz, pois afinal, com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Midnight Oil

A vida as vezes nos trás surpresas.


Quando eu tinha 14 anos, conheci uma banda, como muita gente deve ter conhecido na época, vendo um vídeo clips em algum programa que não me lembro mais. A banda me chamou atenção por conta de seu vocalista, vocal agressivo, branco, alto pra caramba e careca. Seu rock básico e forte me conquistou. Corri atrás e encontrei um disco que tinha saído, Diesel And Dust. Como não tinha as letras, tive de me contentar em apenas ouvir as músicas. Dificuldades financeiras a parte, era complicado conseguir algo deles, e lembre-se estamos falando do final dos anos 1980.

O próximo álbum Oils só conheci nos anos de 1990, "Blue Sky Mining", este vinha com letras e, posso afirmar sem nenhuma sombra de dúvidas, mudou a minha vida. Sofri para traduzir, e posso garantir tinha erros, mas entendi o cerne das música: Uma crítica violenta a nossa sociedade consumista, poluidora, assassina das culturas que fogem do conservadorismo europeu/estadunidense. Minha visão de mundo foi alterada, passei a defender o meio ambiente, virei vegetariano, comecei a entender que vivemos em um mundo com recursos finitos, mais uma vez aviso, lembre-se que estamos no começo dos anos de 1990, poucos tinham tão visão.

Com a chegada do CD, e de uma relativa melhora na condição financeira, tive a possibilidade de correr atrás da maioria dos álbuns lançados. Mas nem tudo era tão fácil, não tinha condições de ir aos shows, morar no Distrito Federal e ir em São Paulo ver uma banda era algo que exigia uma programa longa e cara.

Quando meu filho nasceu, ele foi obrigado a ouvir muitas vezes os discos dos Oils, não por mero luxo ou frescura, mas com a intenção de passar algo que me marcou muito, e posso dizer que se ele não é fã da banda, ao menos conhece a luta deles.

Na Olimpíada de Sidney, um momento maravilhoso, vê-los ao palco lateral, com roupas pretas e a palavra SORRY em branco escrito, me levou a loucura.

Após saber sobre o fim da banda, acreditei que nunca mais os veria. Porém após 15 longos anos de separação, finalmente terei o prazer de vê-los tocando de perto.
Não preciso me preocupar com set list, pois tenho certeza que tudo que tocarem, cantarei e gritarei em alto e bom som.

The Oils are back.

"How can we dance when our earth is turning
How do we sleep while our beds are burning
The time has come to say fairs fair"