terça-feira, 21 de abril de 2020



Entre o medo e a incerteza

Um vírus colocou a humanidade em cheque, mostrando o melhor e o pior do sistemas de governo de alguns países e das pessoas, dividindo-os entre o medo e incerteza.

Esta análise acerca da fragilidade dos países China, Itália, Estados Unidos e Brasil perante as dificuldades na luta contra o mal invisível, um recorte de várias matérias e textos sobre o tema, não trago nenhuma novidade, mas levanto um ponto de vista ao final cada nação, acerca de mudanças ou continuidades, tanto pela forma de administrar o país, quanto da população neste momento.


A China comunista cerceia a liberdade do indivíduo, controla as informações e a vida de cada cidadão. Porém é a segunda maior econômica mundial. A forma como o governo lidou com a crise, inicialmente, todo o controle e falta de transparência fizeram alguns grupos, tanto dentro quanto fora do país, questionarem o governo, mas se isso vai levar uma revolução e ao fim do comunismo ou uma abertura social, com mais liberdade de comunicação, Acredito que não.

O crescimento econômico italiano, proporcionado por um conjunto de incentivos a indústria no período pós-guerra, mesmo com recursos naturais limitados, proporcionou um avanço, na região norte, associado ao turismo, elevando o nível social do país. Entretanto o governo, principalmente a região Lombardia ignorou a letalidade da doença, procurando levar a vida como se nada estivesse ocorrendo. “Milão não para” foi o mote da principal cidade da região, até os óbitos alcançarem números alarmantes e médicos terem de decidir quem vive. A luta para conter a propagação do inimigo levou governos a adotarem estratégias de guerra. O pensamento do italiano foi sendo alterado, a preocupação não é mais consigo, mas com o todo. A Itália mudou.

O sistema de saúde dos Estados Unidos sempre foi um problema. Em 1965, o presidente democrata Lyndon Johnson, conseguiu aprovar mudanças no sistema, criando o Medicare, programa de saúde exclusivo para os idosos a partir dos 65 anos e o Medicaid, prestação de atendimento médico exclusivo para a população de baixa renda. Em 2010, o presidente, também democrata, Barack Obama, com a proposta Patient Protection and Affordable Care Act (PPACA ou Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente) chamado comumente como Affordable Care Act (ACA) ou como foi apelidado pelos jornalistas de "Obamacare". Porém, mesmo com estas alterações, famílias podendo não serem atendidas por estes programas, tendo de pagar pequenas fortunas para serem atendidas em hospitais ou clinicas, levando muitas a falência financeira. Informações garantem a letalidade da doença perante a população negra pobre, mesmo estado fora dos grupos de risco. Se o governo vai alterar seu sistema de saúde, concedendo um sistema para todos e gratuito, acho muito difícil ocorrer.

O Brasil pode ser um exemplo para o mundo no sistema de saúde ou se tornar um campo de jazigos por não atuar, conforme sugere a OMS. O sistema de quarentena, tanto questionado pelo Presidente, mas mantido pelos governadores, conseguiu manter, até o momento, o número de mortos bem abaixo do esperado por alguns analistas, caso nada fosse feito. Entretanto o país, assim como os outros, possui o seu calcanhar de Aquiles: a desigualdade social.
O abismo separando os privilegiados das camadas carentes, tendo no meio, ilhas solitárias da classe média, torna o país um ponto de preocupação. A desigualdade não teve início nos últimos anos, mas se encontra presente desde o início da colonização, com o passar dos séculos, ganhando proporções discrepantes. Neste momento, enquanto alguns estão reclamando por estrem em suas casas ou apartamentos aquartelados, outros estão tendo de sair às ruas para garantir o alimento do dia, correndo o risco de contraírem a doença e virem a falecer. As ações do governo para os privilegiados e empresário foi rápida, entretanto para a camada mais necessitada, está sendo lenta e aquém do esperado. Grupos procuram auxiliar os necessitados, mas não se fala em diminuir o abismo social. O Sistema Único de Saúde é um acalento às almas sofridas e castigadas, atendendo a todos, porém sua capacidade de atuação encontra-se a beira do colapso. Se teremos políticas públicas para diminuir o abismo, acredito que não. Continuaremos sendo um país de uma meritocracia voltada para privilegiados e esforçados.

Vivemos um período de medo e incertezas, com grandes tristezas e poucas alegrias. O que será do mundo para os próximos anos? Uma imensa incerteza. Teremos algumas mudanças, isso é certo, seja no campo do trabalho, do estudo e na ciência.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

quinta-feira, 9 de abril de 2020