terça-feira, 31 de agosto de 2010

Os Substitutos


O que somos capazes de fazer para termos uma aparência que nos agrade?
Até onde a indústria do corpo perfeito pode alterar a nossa vida?

Se você acha que estas são perguntas que não fazem nenhuma importância na sua vida, pense duas vezes e leia um quadrinhos, que virou filme, "Os Substitutos", lançado no Brasil pela editora Devir.

A premissa do quadrinhos é simples para uma realidade alternativa de ficção científica: Num futuro não muito distante, a tecnologia avançou ao ponto que, aqueles que possui uma renda, podem ter um substituto, um espécie de androide que pode ser colocado no lugar e realizar atividades afins, enquanto o proprietário fica descansando, deitado em sua casa, conectada a uma rede de informações. Tudo que o substituto sentir, ver, ouvir ou qualquer outra coisa o proprietário sentira.

Com um substituto se pode fazer o que quiser e bem entender. Afinal de contas, se ele morrer, o máximo que pode acontecer com o seu dono é levar um choque. As profissões de risco não serão mais de risco, afinal de contas não existe risco de vida.

Então a pergunta original acaba sendo levada a frente e com mais preocupação, até onde a indústria do corpo perfeito muda você?

Olhe o mundo ao seu redor... quantas vezes um pessoa não foi aceita num determinado emprego por conta de sua aparência? Quantos namoros não acabaram? Quantas pessoas não gostariam de mudar alguma coisa? E com este pensamento a história se faz presente numa realidade não tão delirante e absurda.

Somos o que somos... Somos nossos medos e desejos... Será que o Superman seria tão super se realmente existisse o medo de morrer, de ser acertado por algo e tomar ao chão? Possivelmente não, sendo assim, esta é uma das criticas da história, se não temos medo de algo, o medo se perde, podemos fazer qualquer coisa. No que se tornaria nossa vida? O envelhecimento seria o mesmo? As leis de cotas, de racismo, de sexualidade se manteriam? Muitas destas respostas se perderiam, pois tudo mudaria. Mas não se engane se acha que diferenças acabariam, pois existem aqueles que não tem dinheiro ou não querem ter um androide e aqueles que venderiam a alma(literalmente) para terem um.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

The Boyz... Tocando um puteiro


NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS!

Este livro contém: linguagem obscena, erótica e depreciativa; gestos obscenos; insinuação de sexo e masturbação; consumo de drogas lícitas ou ilícitas; nudez (mas sem nu frontal); violência com requintes de crueldade apresentada de forma divertida; vítimas em estado de agonia; tortura, estupro, mutilação, abuso sexual; valorização da beleza física como imprescindível para uma vida feliz; e muitas outras coisas do gênero. Portanto, se você se sente chocado com algum desses conteúdos, nem pense em abrir esta obra (mas saiba que isso seria muita frouxidão da sua parte).

Um cidadão vai a uma loja para comprar um quadrinho ao filho, la chegando não pede ajuda e vai direto na sessão de quadrinhos. Pega uma revista de capa preta que tem cinco personagens e com um nome em inglês, The Boys... acha curioso e abre a revista para conferir o conteúdo, mal abre a revista e fecha ao ver uma cena de sexo. Respira e abre para continuar a estudar a revista e logo depois do sexo, tem uma cena onde um casal para lá de apaixonado, declarando-se de forma linda e de repente um vilão atinge a moça, que é lançada num paredão e o pobre rapaz fica com os braços de sua amada em suas mãos... se o pai ainda estiver tentando ver se o quadrinho fica mais tranquilo e tem uma cena de sexo num puteiro. Fecha a revista e vai reclamar com os vendedores, gerentes da loja e afins.

Muito agradavelmente o pai não se ateve de alguns pontos:

Logo no começo da revista o escritor explica como deveria ser chamada a revista, mas o editor não aceitou: Tocando um puteiro.

Se tivesse olhado a quarta capa da revista veria uma lista de itens que esta logo no começo desta matéria.
E foi exatamente nesta lista absurda que me levou a ler esta história, isso e o meu amigo Thiago Moreira (Foi mal chapa, mas tive que te citar) que me indicou esta revista. Todos os avisos aparecem, e deve ter tido alguns que eles devem ter se esquecido de colocar.

Para quem não conhece, Garth Ennis, escritor e criador desta loucura, deve ter tido algum problema com heróis quando criança, pois toda vez que pode ele acaba com os mascarados e fantasiados. Na revista a Pro, ele acaba com os ícones da DC Comics e sobre como pessoas normais podem ganhar poderes, neste caso uma prostituta é testada sobre o valor humano. Um dos pontos de discussão acaba se voltando para o 11 de setembro, "Onde estavam os heróis para impedir o atentado?" questiona a Pro.

Mas voltando ao garotos... o que os heróis fazem quando não estão salvando o mundo? Eles possui desejos sexuais? Qual as conseqüências de um herói admitir ser homossexual? O que uma jovem pode fazer para entrar num grupo? Todas estas questões são abordadas de forma forte pelos autores.
Diferente da Pro, em The Boys a critica chega a atingir a Marvel, mas o alvo central continua sendo a DC Comics, seja nos poderes, nas atitudes dos personagens, nos formatos de grupos.

Nossos heróis, ou melhor, os personagens principais são patrocinados pela CIA e são tão perigosas, ou talvez até mais, que os heróis. Pense neles como uma polícia que tem que manter os super sobre controle, e neste sentido uma frase muito recorrente em Watchmen de Alan Moore e David Gibbons é respondida: "Quem vigia os vigias": Billy Carniceiro, Hughie Mijão, Leite Materno, O Francês e A Fêmea.

The Boyz criado por Garth Ennis (roteiro) e Darick Robertson (arte) começou a ser lançando em 2006 e continua sendo lançada. No Brasil a editora Devir lançou a primeira encadernada, "O nome do jogo". A revista já ganhou um premio Eisner, o Oscar dos quadrinhos, o que a deixa bem cotada.

Se você esta cansado de heróis certinhos... então achou a revista certa.