Um cidadão vai a uma loja para comprar um quadrinho ao filho, la chegando não pede ajuda e vai direto na sessão de quadrinhos. Pega uma revista de capa preta que tem cinco personagens e com um nome em inglês, The Boys... acha curioso e abre a revista para conferir o conteúdo, mal abre a revista e fecha ao ver uma cena de sexo. Respira e abre para continuar a estudar a revista e logo depois do sexo, tem uma cena onde um casal para lá de apaixonado, declarando-se de forma linda e de repente um vilão atinge a moça, que é lançada num paredão e o pobre rapaz fica com os braços de sua amada em suas mãos... se o pai ainda estiver tentando ver se o quadrinho fica mais tranquilo e tem uma cena de sexo num puteiro. Fecha a revista e vai reclamar com os vendedores, gerentes da loja e afins.
Muito agradavelmente o pai não se ateve de alguns pontos:
Logo no começo da revista o escritor explica como deveria ser chamada a revista, mas o editor não aceitou: Tocando um puteiro.
Se tivesse olhado a quarta capa da revista veria uma lista de itens que esta logo no começo desta matéria.
E foi exatamente nesta lista absurda que me levou a ler esta história, isso e o meu amigo Thiago Moreira (Foi mal chapa, mas tive que te citar) que me indicou esta revista. Todos os avisos aparecem, e deve ter tido alguns que eles devem ter se esquecido de colocar.
Para quem não conhece, Garth Ennis, escritor e criador desta loucura, deve ter tido algum problema com heróis quando criança, pois toda vez que pode ele acaba com os mascarados e fantasiados. Na revista a Pro, ele acaba com os ícones da DC Comics e sobre como pessoas normais podem ganhar poderes, neste caso uma prostituta é testada sobre o valor humano. Um dos pontos de discussão acaba se voltando para o 11 de setembro, "Onde estavam os heróis para impedir o atentado?" questiona a Pro.
Mas voltando ao garotos... o que os heróis fazem quando não estão salvando o mundo? Eles possui desejos sexuais? Qual as conseqüências de um herói admitir ser homossexual? O que uma jovem pode fazer para entrar num grupo? Todas estas questões são abordadas de forma forte pelos autores.
Diferente da Pro, em The Boys a critica chega a atingir a Marvel, mas o alvo central continua sendo a DC Comics, seja nos poderes, nas atitudes dos personagens, nos formatos de grupos.
Nossos heróis, ou melhor, os personagens principais são patrocinados pela CIA e são tão perigosas, ou talvez até mais, que os heróis. Pense neles como uma polícia que tem que manter os super sobre controle, e neste sentido uma frase muito recorrente em Watchmen de Alan Moore e David Gibbons é respondida: "Quem vigia os vigias": Billy Carniceiro, Hughie Mijão, Leite Materno, O Francês e A Fêmea.
The Boyz criado por Garth Ennis (roteiro) e Darick Robertson (arte) começou a ser lançando em 2006 e continua sendo lançada. No Brasil a editora Devir lançou a primeira encadernada, "O nome do jogo". A revista já ganhou um premio Eisner, o Oscar dos quadrinhos, o que a deixa bem cotada.
Se você esta cansado de heróis certinhos... então achou a revista certa.