Entre
o medo e a incerteza
Um vírus colocou a humanidade em
cheque, mostrando o melhor e o pior do sistemas de governo de alguns países e
das pessoas, dividindo-os entre o medo e incerteza.
Esta análise acerca da fragilidade
dos países China, Itália, Estados Unidos e Brasil perante as dificuldades na
luta contra o mal invisível, um recorte de várias matérias e textos sobre o
tema, não trago nenhuma novidade, mas levanto um ponto de vista ao final cada
nação, acerca de mudanças ou continuidades, tanto pela forma de administrar o
país, quanto da população neste momento.
A China comunista cerceia a
liberdade do indivíduo, controla as informações e a vida de cada cidadão. Porém
é a segunda maior econômica mundial. A forma como o governo lidou com a crise,
inicialmente, todo o controle e falta de transparência fizeram alguns grupos,
tanto dentro quanto fora do país, questionarem o governo, mas se isso vai levar
uma revolução e ao fim do comunismo ou uma abertura social, com mais liberdade
de comunicação, Acredito que não.
O crescimento econômico italiano, proporcionado
por um conjunto de incentivos a indústria no período pós-guerra, mesmo com recursos
naturais limitados, proporcionou um avanço, na região norte, associado ao
turismo, elevando o nível social do país. Entretanto o governo, principalmente
a região Lombardia ignorou a letalidade da doença, procurando levar a vida como
se nada estivesse ocorrendo. “Milão não para” foi o mote da principal cidade da
região, até os óbitos alcançarem números alarmantes e médicos terem de decidir
quem vive. A luta para conter a propagação do inimigo levou governos a adotarem
estratégias de guerra. O pensamento do italiano foi sendo alterado, a
preocupação não é mais consigo, mas com o todo. A Itália mudou.
O sistema de saúde dos Estados
Unidos sempre foi um problema. Em 1965, o presidente democrata Lyndon Johnson, conseguiu aprovar mudanças no
sistema, criando o Medicare, programa de saúde exclusivo para os idosos
a partir dos 65 anos e o Medicaid, prestação de atendimento médico exclusivo para a
população de baixa renda. Em 2010, o presidente, também democrata,
Barack Obama, com a proposta Patient Protection and Affordable Care Act (PPACA ou Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente) chamado
comumente como Affordable Care Act (ACA) ou como foi apelidado pelos jornalistas de "Obamacare". Porém, mesmo com estas alterações, famílias
podendo não serem atendidas por estes programas, tendo de pagar pequenas
fortunas para serem atendidas em hospitais ou clinicas, levando muitas a
falência financeira. Informações garantem a letalidade da doença perante
a população negra pobre, mesmo estado fora dos grupos de risco. Se o governo
vai alterar seu sistema de saúde, concedendo um sistema para todos e gratuito,
acho muito difícil ocorrer.
O Brasil pode ser um exemplo para o
mundo no sistema de saúde ou se tornar um campo de jazigos por não atuar,
conforme sugere a OMS. O sistema de quarentena, tanto questionado pelo
Presidente, mas mantido pelos governadores, conseguiu manter, até o momento, o
número de mortos bem abaixo do esperado por alguns analistas, caso nada fosse
feito. Entretanto o país, assim como os outros, possui o seu calcanhar de
Aquiles: a desigualdade social.
O abismo separando os privilegiados
das camadas carentes, tendo no meio, ilhas solitárias da classe média, torna o
país um ponto de preocupação. A desigualdade não teve início nos últimos anos, mas
se encontra presente desde o início da colonização, com o passar dos séculos,
ganhando proporções discrepantes. Neste momento, enquanto alguns estão
reclamando por estrem em suas casas ou apartamentos aquartelados, outros estão
tendo de sair às ruas para garantir o alimento do dia, correndo o risco de contraírem
a doença e virem a falecer. As ações do governo para os privilegiados e empresário
foi rápida, entretanto para a camada mais necessitada, está sendo lenta e aquém
do esperado. Grupos procuram auxiliar os necessitados, mas não se fala em
diminuir o abismo social. O Sistema Único de Saúde é um acalento às almas
sofridas e castigadas, atendendo a todos, porém sua capacidade de atuação encontra-se
a beira do colapso. Se teremos políticas públicas para diminuir o abismo,
acredito que não. Continuaremos sendo um país de uma meritocracia voltada para
privilegiados e esforçados.
Vivemos um período de medo e incertezas,
com grandes tristezas e poucas alegrias. O que será do mundo para os próximos
anos? Uma imensa incerteza. Teremos algumas mudanças, isso é certo, seja no
campo do trabalho, do estudo e na ciência.
